Nosso amor chegava ao fim e era inútil qualquer tentativa. Eu sabia que não tinha mais jeito.
Às vezes, meu amor, tudo que a gente tem que fazer é simplesmente deixa ir, se esvaziar. Não era hora de me esvaziar de você, mas você estava se esvaziando de nós dois. Eu sentia isso. E exatamente por sentir tanto que eu preferiria sair do seu caminho. Eu já arquitetava o plano. Me doía, mas eu sabia que eu era seu problema. E que precisava sair do caminho. Talvez te amar de longe não fosse tão ruim assim, sabe? Eu te deixaria com uma lágrima no olho, mas logo te veria feliz reconstruindo seus planos, sua vida. Era melhor. Afinal, você me ensinava que quando é amor mesmo, a gente não se importa se a pessoa está longe ou perto. A gente se importa se ela está feliz. Paixão odeia distância, quer se fazer dona. Amor camufla o sentimento e deixa ir. Como me dói dizer isso, mas eu precisava te deixar, meu amor. Eu precisava.
Aquele encontro tinha um ar de despedida e eu sei que você também sentia isso. Quando levantou para buscar a água, eu fui até a gaveta, peguei minhas coisas e as coloquei na bolsa. Voltei para a cama e vesti a blusa de frio. Acho que daqui a um tempo dará falta do seu boné amarelo, você sabe que era o meu favorito e eu tive que levá-lo comigo. Depois que voltou, eu respirei fundo, olhei em seus olhos pela última vez e inventei qualquer compromisso. Disse que iria embora e fechei a porta daquele apartamento sem olhar para trás, certa de que era minha última vez ali.
Eu deixava uma vida, deixava parte de mim. Eu precisava viver e para isso, eu precisava te deixar. Deixar a minha vida com você para trás. Como é triste o fim, meu amor. Mas como me alivia saber que outra, em breve, colocará sorrisos em seu rosto. Sabe, acho que isso não é egoísmo. Não sei o que eu sinto por você, mas acho que é amor. Bem sincero amor.