“Ele está lá… no seu coração, na sua mente, no cheiro que você carrega junto com seu passado. Ele está em cada torção contraída do seu estômago, em cada momento descontraído de seus hormônios.”
- Tati Bernardi.
Primeiro encontro. Ambos sentados em uma mesa de café. Um café pra ele, um suco de laranja sem açucar pra ela. Ele falou sobre sua vida por minutos ininterruptos enquanto ela ouvia atentamente cada detalhe. Uma vida completamente diferente do que estava acostumada a ouvir. Absorta em suas palavras. Ela falava pouco e ele também, mas sentiu-se coagida a manter um pequeno monólogo pra evitar silêncios desconfortáveis. Preferia ouvir, de qualquer forma. Ele disse: “Estou falando demais, é sua vez de falar agora”, mas obteve como resposta um tímido “Não sei o que dizer. Eu não sou tão interessante assim”. Ele, num tom violentamente doce, discordou: “É, é sim…”. Ela, que evitava contato visual e fitava seu suco com uma disciplina forçada, precisou olhá-lo quando ele proferiu aquelas palavras tão ternas. Nunca esqueceria aquele olhar. Ele a olhava como se seus olhos fossem feitos de veludo. Veludo castanho esverdeado e acolhedor. Estava sério. Ele era naturalmente sério, mas ali parecia bobo. Sim, ela o achava interessantíssimo. Sim, ele queria ouvi-la. Sim, ele conhecia a própria vida o suficiente e queria ouvir a dela. “É interessante, sim…”
E ela nunca conseguiu descobrir quando foi que começou a se apaixonar.