sábado, 20 de fevereiro de 2010

só por hoje eu não estou. fui ali na esquina comprar um algodão doce e já volto. ou quem sabe nem volto. na verdade eu não tenho nenhum plano perfeito, nem mesmo uma idéia mirabolante vagando por aqui. eu só quero jogar meu relógio fora, pois as horas não me interessam. elas sempre passam rápidas demais quando preciso que parem, e simplesmente se arrastam, quando desejo que corram. por isso, hoje elas não me servem. e não adianta ligar no meu celular, devo ter jogado ele em algum bueiro ou ter deixado dentro da gaveta do criado-mudo. só por hoje não me procure. não vou atender, não vou estar, não vou abrir a porta pra você. não quero ouvir nada que me lembre qualquer coisa. só por hoje não sou passado ou futuro, não sou nem mesmo o presente, sou essa coisa ligeira que foge de si mesma. e dos outros.
palavras, palavras... elas nunca resolveram meus problemas, muito pelo contrário! portanto, me poupe de seus conselhos. deixe que eu siga nessa desabalada rota. não quero abraço nenhum. só por hoje não quero me sentir acorrentada a ninguém. não quero ser propriedade nem de mim mesma. quero ser algo entre vento e pássaro. rápido, ligeiro e o mais invisível possível. se por acaso você me ver, finja que viu qualquer outra coisa. não me chame. e, de preferência, vá para o lado oposto. não quero ver rostos conhecidos, não queria nem ver os desconhecidos.
só por hoje eu não sou eu, sou qualquer coisa, presa a absolutamente nada. um minuto de liberdade e eu voltarei a fingir que tudo são flores... voltarei a ser eu.

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