Eu não sei descrever como me sinto. Parece que todos os meus sentimentos foram bloqueados: não sinto amor, não sinto dor, felicidade, tristeza, nem mesmo indignação, mais também não sinto indiferença. Meu coração sabe de tudo, ele sente, ele realmente quer sentir, mais meu cérebro travou todos os tipos de emoções e sentimentos. Não sei como agir, não sei o que falar, não sei o que será daqui pra frente, não sei que atitudes tomar, não sei absolutamente de nada. Absorta, anestesiada e inerte, é assim que sigo meus dias. Queria desaparecer pra bem longe disso tudo e ficar distante até as coisas se encaixarem nesse novo rumo. Fugir de problemas nunca fez meu tipo, mais estou agoniada demais pra enfrentar tudo. Tenho medo de começar a sofrer de verdade, não sei até que ponto meu entorpecimento vai durar e eu não quero avançar pra ver. Lagrimas inúteis caem de meus olhos e ao menos sei do que elas são. Quem me dera pudesse ter força e coragem pra gritar bem alto: Ei, o que não me mata só me fortalece. Mas admito: estou frágil, melancólica, fraca. Não sei até quando vou conseguir carregar essa fardo, e isso está me matando lentamente. São golpes dilacerando-me pouco a pouquinho. Dizem que a dor é inevitável mais o sofrimento é opcional, essa frase sempre fez sentido pra mim. Fez, agora não mais. A dor e o sofrimento são como melhores amigos andando lado a lado e quando você sente um, inevitavelmente o outro também vem para acompanhar. É um alivio que eu consiga ao menos transformar essa avalanche em palavras, quem sabe depois desse texto eu possa voltar a sentir-me um pouco menos inumana. É.
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