Ela: Liguei porque estava com saudades. Fiz errado?
Ele: Acho que não – silêncio prolongado, ninguém falava nada, até ele se pronunciar. – Eu também senti sua falta!
Ela: Hã… – fiquei feliz com o que escutei, era como se o meu coração voltasse a ter esperança, mesmo a razão obrigando-o a acreditar que não – É bom escutar isso!
Ele: É… – silêncio
Ela: Bom, acho que era só isso… Foi bom ouvir sua voz!
Ele: Pra mim também! Obrigado por ligar. – O telefone ficou mudo, tirei-o da orelha com dificuldades, poderia ficar escutando a respiração dele (daquele em que para mim, ainda era minha metade), para sempre… mas não. – Alô? – ela puxou o telefone com rapidez colocando no ouvido novamente. – Ta ai?
Ela: Oi… estou! – falou rapidamente e com a voz baixa.
Ele: Ana, quando foi a última vez que chorou por mim? – que tipo de pergunta era essa… Não sabia o que responder .
Ela: Ah… faz um tempinho! – mentira, mentira, mentira – e você? Quando foi a última vez que chorou por MIM?
Ele: Ontem! – foi uma resposta direta, sem hesitar, o coração dela acelerou. Porque ele estava falando isso agora?
Ela: Há – ela soluçou alto, estava tentando não demonstrar que estava chorando desde o começo da ligação. – Daniel?
Ele: Oi – mais um soluço.
Ela: Eu menti – Ana não conseguia ver, mas podia imaginar expressão do amor da sua vida agora, os olhos arregalados, o sorriso no canto da boca, e aquela expressão de ‘eu sabia’ – A última vez que eu chorei por você… –silêncio – ainda não passou, está sendo agora! – ela chorou alto, soluçou uma, duas, três vezes.
Ele: Eu também menti Ana! – e então não era mais só os soluços de Ana na conversa, os de Daniel passaram a ser audíveis também.
“And where can love take us now, we’ve been so far down, We can still touch the sky”
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