Ela sentava todos os dias naquela mesma mesa. Madeira desenhada por letras e nomes soltos, frases, pessoas gravadas no mogno. A cadeira de sempre, e o horário quase o mesmo. Uns cinco minutos de atraso. O livro: o ideal. Aquele que mais contaria sobre a sua vida em silêncio. As páginas, a capa dura, o título.. tudo era ela e suas histórias de cabeça. Com o livro entreaberto entre as mãos ela contava só pela ação “segurar” seus sonhos e maiores medos. Todos os segredos que ela guardava e as tristezas cultivadas e que não compartilhava com ninguém estavam ali: expostos. Bastava alguém querer conhecer-la. Ela não lia. Era sua história e já sabia de cor… ela esperava por ele. Vivia nessas esperas infinitas de relógio da vida. Esses sonhos que a gente reza toda noite.
Então alguém iria observar por entre os livros. O cabelo que insistia em cair em seu rosto e a mesma insistência em colocá-los atrás da orelha. A discrição com que procurava por entre os livros alguém. Ela esperava por uma pessoa? Ou por ele?
Ele pedia que ela olhasse pra ele. Que visse ele ali escondido entre os livros. Que alguém o enxergasse. Mas ela só olhava para os lados. Nunca para frente.
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