terça-feira, 12 de julho de 2011

O que eu sei é que quando eu desabar completamente ninguém vai querer estar por perto e ver a cena. Todo esse teatro não impressiona...
E não vai demorar tanto assim pra acontecer.

"Às vezes eu só queria dançar uma daquelas músicas idiotas da Jovem Pan, numa balada cheia de idiotas, e parar de odiar tanto todo mundo"...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

2.

Era uma tarde comum em NY. A não ser o fato de estar lendo pela terceira vez aquele folheto de um filme novo estreando na cidade. Ele simplesmente não podia acreditar.

Tomava seu café naquela cafeteria charmosa do centro da cidade, após um dia cansativo no mestrado. Quando ouviu uma voz que chamou sua atenção. Quando levantou a cabeça viu que ela estava ali, após tanto tempo, tinham se reencontrado novamente.

Gritou seu nome antes de pensar em qualquer coisa, ela estava diferente, claro, mas reconheceria essa voz de longe. Foi então que ela se virou e ficou surpresa de encontrá-lo ali.

- Meu Deus, que coincidência! Quanto tempo, como você esta? – Ela disse dando um caloroso abraço naquele corpo que costumava conhecer tão bem cada centímetro.

- Vou bem! E você? – Enquanto ele respondia, ela viu que ele segurava seu panfleto em suas mãos. – É, vi que você mudou completamente de rumo não foi?

Ela sorriu encabulada. Desde a época que namoravam, ela nunca parava de ter idéias e querer se aventurar em vários assuntos possíveis. Ele sempre chamava sua atenção, dizendo para se focar em alguma coisa, e antes dele ir embora, ela tava focada num caminho completamente diferente de cinema, que era design e arquitetura.

- Pois é, eu me mudei pra Inglaterra com uma amiga e lá nos dividimos apartamento com um pessoal muito doido. Eu sempre pensei que quisesse viver frente às telas, mas um dos nossos colegas de apartamento me mostrou esse caminho de roteiros, e tudo mais. Acabei escrevendo esse e dando sorte. É meu primeiro filme, dei sorte dele ter esbarrado em mãos certas. – Abaixou os olhos para seu café, outra mania que aprendera com ele, nunca gostara de café, mas ele a ensinou a beber. Ele havia ensinado tantas coisas a ela, que era praticamente impossível que ela conseguisse esquecê-lo. Por mais que tenha tentado durante todos esses anos.

Ele não conseguia parar de olhá-la. Ela estava tão diferente desde que terminaram. Ela que usava cabelos curtos e escuros, havia deixado crescer e clareou, tinha mais alguma coisa de diferente, mas que ele não conseguia decifrar o que era...

- Fico feliz de que tenha dado certo. Veio pra cá para promovê-lo?

- Foi, estamos com uma equipe na cidade, amanhã volto pra Londres para acompanhar as estatísticas..

- E como anda a vida? – Ele queria reconhecer a mulher que ela se tornara. Tão decidida, tão madura, tão diferente daquela menina que ele namorou.

- Tranquila, muito trabalho, mas nada que não faça parte da vida. E a sua vida com seus estudos? – Ela queria evitar uma pergunta que já sabia a resposta.

- Anda bem, acabei de sair da aula, tenho milhões de coisas para ler e resolver. Mas resolvi parar um pouco para tomar um café e te reencontrei. O que acabou valendo a pena e eu não estou me sentindo tão culpado assim de estar relaxando um pouco. – Sorriu.

- Pois é, às vezes temos que parar um pouco mesmo. E quem diria que iríamos nos esbarrar numa cidade tão grande quanto NY né?

- As coisas conosco sempre foram assim.. Nossa vida sempre cheia de coisas que não podemos explicar.. – Ele baixou os olhos. Lembrara do primeiro dia que a conhecera. Ela trabalhava num restaurante, e era dia da formatura dele. Lembra de ter pedido o numero de telefone, e que na época não conseguiu ligar. Mas se encontraram nas redes sociais. Respirou fundo. Eram doces lembranças..

- E você, namorando? – Ele não devia ter feito essa pergunta, mas precisava saber.

- Não – Era a pergunta que ela queria fazer – E você? – Sabia a resposta.

- É, to com alguém sim... – Ele ficou sem graça em admitir, mas nunca conseguira mentir para ela. Ela já sabia da resposta, o conhecia tão bem pra saber que ele não conseguiria ficar sozinho por muito tempo. E com tempo, ela quer dizer por 4 anos. Seu telefone tocou, ela pediu licença para atender e se levantou.

Ela estava deslumbrante. E quando ela levantou foi que ele percebeu o que estava faltando: Ela retirara todas as tatuagens.

Ele não sabia que ela tinha feito isso logo depois que ele foi embora. Ela queria esquecê-lo, queria mudar, não queria ser mais aquela pessoa com quem ele namorou. Ela não conseguiu reagir muito bem com toda aquela dor da despedida e tentou se tornar outra pessoa. Externamente tinha conseguido..

Ele adorava o jeito como ela era, adorava suas tatuagens até mais do que ela. E sabia que tinha uma em especial que tinha unido e feito um elo entre os dois – O símbolo que ela carregava na nuca.

Mas não podia perguntar se ele ainda estava lá, não conseguiria..

- Desculpe, eu tenho que ir agora, estão me esperando no hotel para ir para a cerimônia de lançamento.

- Ah, claro, tudo bem. – Ele acordou do seu momento hipnótico de lembranças.

Deram um longo abraço, marcado de saudades, de angustias, lembranças. Ambos sabiam que ainda se amavam, e muito, mas sabiam também que não podiam ficar juntos. Suas vidas tomaram um rumo diferente desde aquele dia no aeroporto.

Quando ela se virou, ele a pegou pelo braço e perguntou: - É a nossa história não é? Seu filme? – E olhou firmemente em seus olhos.

- Não, é uma ficção, é só a minha história.. – Ela sabia que não era verdade. E ele também.

- Eu sei que é a nossa história.

Ela pousou a mão em seu rosto docemente, como fazia há 4 anos, teve saudades dos momentos juntos. Relembrou toda a história deles. Olhou naqueles olhos castanhos esverdeados e viu que ele não tinha mudado absolutamente nada. Continuava do jeitinho que ela sempre lembrara. A única coisa que tinha esquecido era do gosto dos seus beijos, do seu calor contra sua pele, do seu toque. Coisas que haviam se perdido no tempo. Coisas que não podiam voltar.

- Não, na minha história eles ficam juntos no final. – E se virou para ir embora.

Como acontecera no aeroporto. E quando ela se virava, um vento passou por eles levantando os longos cabelos dourados, e foi quando ele viu, ainda estava ali, o pequeno pedaço preto de tinta marcado contra sua pele, e destacado por sua pele tao branca e cabelos tao louros. Estava ali, a tatuagem que marcou o inicio de tudo.

Ela ainda era a menina que ele amou durante todos esses 4 anos.

Me conta o que te encanta...

domingo, 3 de julho de 2011

Ela sentava todos os dias naquela mesma mesa. Madeira desenhada por letras e nomes soltos, frases, pessoas gravadas no mogno. A cadeira de sempre, e o horário quase o mesmo. Uns cinco minutos de atraso. O livro: o ideal. Aquele que mais contaria sobre a sua vida em silêncio. As páginas, a capa dura, o título.. tudo era ela e suas histórias de cabeça. Com o livro entreaberto entre as mãos ela contava só pela ação “segurar” seus sonhos e maiores medos. Todos os segredos que ela guardava e as tristezas cultivadas e que não compartilhava com ninguém estavam ali: expostos. Bastava alguém querer conhecer-la. Ela não lia. Era sua história e já sabia de cor… ela esperava por ele. Vivia nessas esperas infinitas de relógio da vida. Esses sonhos que a gente reza toda noite.

Então alguém iria observar por entre os livros. O cabelo que insistia em cair em seu rosto e a mesma insistência em colocá-los atrás da orelha. A discrição com que procurava por entre os livros alguém. Ela esperava por uma pessoa? Ou por ele?

Ele pedia que ela olhasse pra ele. Que visse ele ali escondido entre os livros. Que alguém o enxergasse. Mas ela só olhava para os lados. Nunca para frente.


“Eu crio diálogos em minha cabeça e, eles me iludem. E muito.”


E me pedem para ser otimista. Para ser paciente. Que o que tem que acontecer sempre acontece. Mas me dá um medo de pensar que o destino pode escolher que você não entre nunca na minha vida. É por isso que faço mil planos a noite. Compro passagens só de ida para te procurar. E te decifro todos os dias pelas minhas ilusões. E se não for pra acontecer eu vou contra tudo isso. E fico com você do mesmo jeito. Porque é pra ser assim. Eu preciso de você. Ouvir suas histórias, tocar suas cicatrizes, bagunçar o seu cabelo, ver você dormir, ouvir você me chamando de “minha” e me sentir sua. De alguém.

Eu juro que desisto do meu orgulho e dos meus vícios de triste. Não vou deixar nós dois na mão de qualquer predestinado. Eu vou atrás de você qualquer dia desses e sei que te encontro no meio do caminho. Porque eu te sinto e porque sei que de alguma maneira, qualquer maneira, você também me sente.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Carta Extraviada


Não sei por onde começar esta carta que já nasce atrasada, pensamos sempre que temos muito a dizer mas as palavras são pouco amistosas, onde encontrá-las agora, às três e dez de uma madrugada em que me encontro insone e pensando mais uma vez em você?Você esperou por estas palavras por muitos meses, na esperança de que elas aliviariam a dor do seu coração, mas elas não vieram porque estavam ocupadas vigiando meus impulsos, me impedindo de me abrir, e minha própria dor lhe pareceu desatenção. Eu que não durmo de tanta paixão congestionada, de tanto desejo represado, de tão só que estou.Meus motivos sempre lhe pareceram egoístas, e se eu lhe disser que o descaso aparente foi na verdade uma atitude consciente para preservar você, me chamarás de altruísta e não sairemos do mesmo lugar.Eu errei por não permitir que você me oferecesse seu afeto, eu errei ao sobrevalorizar um risco imaginário, eu errei por achar que existem amores menores e maiores, avaliados pelo tempo investido, pela contagem dos beijos, pelas ausências sentidas, por tudo isto fui conduzido a um erro de cálculo.Não te peço nada além de compreensão, e esta carta nem era para pedir, mas para doar, eu que sempre me achei bom nessas coisas, o voluntário da paz, o boa-gente oficial da minha turma.Mas peço: lembre de mim como alguém que alcançou a mesma medida do seu sentimento, a mesma profundidade das suas dúvidas, o mesmo embaraço diante da novidade, o mesmo cansaço da luta, a mesma saudade.A carta vem tarde e redigida com palavras covardes, as corajosas repousam pois se imaginam já ditas e escritas, valentes foram as palavras do início, as desbravadoras, as que ultrapassaram limites, quando nós dois ainda não sabíamos do que elas eram capazes, palavras audazes, febris.Pela enormidade de tempo que temos pela frente em que não nos veremos mais, não nos tocaremos ou ouviremos a voz um do outro, pela quantidade de dias em que conduzirás tu vida longe de mim e eu de ti, pela imensidão da nossa descrença, pela perseverança da nossa solidão, pelos nãos todos que te falei, pelo pouco que houve de sim, acredita: te amei além do possível, não te amei menos que a mim.

(Cartas extraviadas - Martha Medeiros)

E eu faço você feliz? O quanto você pode me suportar sem ter vontade de ficar dias longe de mim? Eu tenho medo que um dia você chegue e me diga o quanto eu fui insuportável todo esse tempo. Medo que você solte minha mão, arrebente nossa linha, que feche a porta sem nem olhar pra trás. Que você diga: não, você nunca me fez feliz. Medo bobo esse. Mas quer medo pior, do que o medo de fazer as pessoas sofrerem?
Ambos sabemos que estamos perdidos no sussurro da noite. No silencioso grito de amor. Nosso fogo tem prazo, final marcado, mas isso não dói. Eu te amo às 3:37 da manhã, enquanto todos dormem, enquanto todos sonham; lá estou, sonhando acordado com você comigo, mesmo quando você não existe aqui. E enquanto todos acordam, eu durmo. Sonho com você às 5:43 da manhã. Sonho com seu beijo no meu, com seus dentes no meu rosto. E até com seu vício de coca-cola, que eu tenho certeza que já tomou algumas. Não temos uma música, não temos um filme, nem história ainda, só palavras rasgadas e um estranho ciúme possessivo. E é como você sempre diz: A gente tem tudo, tudo pra dar errado e mesmo assim dá muito certo. E é tudo mesmo. A gente dá certo até quando você insiste em usar aquele tênis e quando eu insisto em falar errado. Como eu queria te chamar de meu por 90 anos, mas nosso prazo é tão curtinho.