quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Desfazer laços, quebrar rotinas, o que fazer com aquele relacionamento que embora já tenha terminado ainda insiste em rondar os pensamentos? Tira o sono, faz escorrer as lágrimas, sofre, ama, e quanto mais ama, mais sofre, num inacabável e incansável ciclo vicioso amoroso. Difícil não é aceitar a perda, mas convencer o coração de que passou, que aquele bom dia ao qual estava acostumado a receber todas as manhãs não virá, tão pouco o boa noite. Seus olhos não terão seu rosto como à primeira visão matinal, a cama de repente se tornou tão espaçosa e fria, embora ainda sinta na pele o calor dos abraços, o sabor dos beijos, e os ouvidos em meio ao silêncio da madrugada ouçam o sussurro de sua voz dizendo que te ama.
Assim como no inicio um começou a amar primeiro, igualmente acontece com o término, quem dera o sentimento acabasse para ambos ao mesmo tempo, “Um, dois, três e já! Não te amo mais”... “Ok, então também não te amo mais”. Mas o amor não funciona como um jogo, não tem regras especificas, não é uma ciência exata, não se adapta a perdas, não compreende certas circunstancias, é cúmplice do coração, este que insiste em disparar quando escuta aquela voz, que fica apertado de saudades, que a cada pulsar repete o nome do amor perdido.
A quem diga que não amamos com o coração, mas com o cérebro, os ‘realistas’, os que nunca amaram, não vislumbram a separação dos dois, só o apaixonado consegue diferencia-los, “Tá o coração não pensa, sua função é bombear o sangue”, mas não estamos falando desse coração propriamente dito, mas aquela parte da sua mente que carrega a dor da ausência, que alimenta o sentimento, e é essa parte que avisa ao nosso coração da presença do ser querido, fazendo os batimentos serem acelerados.
A adaptação não é fácil, não tem tempo estimado, cabe a parte unida ao coração se deixar dominar pelo outro lado da mente, aquela que uma hora ou outra se apega à realidade, buscando uma maneira de sobreviver dentro de si mesmo. Ela não esquece, pois o verdadeiro amor não costuma se ater ao esquecimento, mas a guardar as lembranças, a escondê-las de si mesmo num lugar menos exposto, contudo nem sempre coberto o bastante para deixar de avisar ao coração que ele ainda bate ao compasso daquele amor.
-Por Michelle Araújo

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