sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Você disse que eu não existia. Mas eu existo. Eu to aqui, eu to te vendo sorrir e me olhar. Nesse momento, parece que é você que não existe. Está tudo tão lindo, e minhas lembranças estão cantando as suas músicas. Sim, aquela que eu cantei pra você numa tarde de dezembro. Lembra? Eu tava em pé abraçada em você no ponto de ônibus e cantaralova, contrariada porque odeio cantar. Você soltou uma risada abafada. Eu olhei pra você com ironia e desgosto, irritada por você achar graça, mas sorri. Como hoje é assim. É, acho que sorrir é uma constante do seu lado.

Mas o presente se inicia novamente.

Foi quando eu senti o seu peso ao meu lado na cama e os seus dedos afastando o cabelo do meu pescoço. E você beijou aquela área livre, enquanto me olha de certo jeito que às vezes eu não consigo entender. Talvez fosse proposital. Você nunca é direto com as palavras, eu sempre preciso te decodificar.

Eu sempre te senti. Mas naquela tarde ficou muito claro e por isso eu retomei as músicas e o seu cheiro. Que passava a cheirar em mim.

E hoje ao suor que você tinha me provocado alguns segundos atrás. Cheirava a nós, ao nosso amor, à nossa relação que eu me negava a nomear ou rotular. Éramos nós dois ali, saturados. Quando eu te trouxe de volta pra minha vida, eu já sabia o que fazer. Eu peguei uma melodia que simbolizava você pra mim, te resumia. É difícil dizer, eu nunca conseguiria te expressar por completo, nem te explicar, talvez nem sentir. Você continuava jogado displicentemente naqueles lençóis amarrotados do nosso ninho e eu fiquei do seu lado. Tive que te fazer doce algumas vezes porque você nunca me leva a sério. Já estava debochando e adivinha? Rindo. Você ficou imóvel por um longo período, pensativo, vagando pela sua mente, me fazendo te decodificar e então simplesmente me beijou.

Nós permanecemos deitados por horas, olhando fixamente os olhos um do outro, num silêncio ensurdecedor. Após a eternidade me olhando, eu ouvi um som. Seus lábios se moveram e você disse.


As vezes eu não sei muito bem o que dizer, é então que eu olho pro céu e agradeço, agradeço, agradeço infinitas vezes por você ter aparecido na minha vida e me tirado tantos erros, tantos medos, por ter me ensinado a ser tão melhor e por ter me mostrado como é bom ser feliz ao lado de outra pessoa.
Eu gosto de olhar pra frente e te encontrar, olhar pros lados e te encontrar, me olhar no espelho e te encontrar, e em cada canção te encontrar..
Escuta, eu só quero que você guarde isso com você, bem aí do seu lado, onde é o meu lugar: eu vou te fazer feliz pelo resto das nossas vidas.

Tanto, tanto, tanto. E não precisa fazer sentido, nem pra mim, nem pra você.

É que existe e eu não evito.

“Foi você o sonho bonito que eu sonhei
Foi você eu lembro tão bem você na linda visão
E me fez sentir que o meu amor nasceu então
E aqui está você, somente você a mesma visão
Aquela do sonho que eu sonhei.”

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