Há dias em que a conheço tão bem. Sei diferenciar sua tristeza de sua alegria. Sua embriaguez de sua sobriedade. Seu amor de seu ódio.
E então ela se deita em nossa cama, lê algum livro, me beija a boca e me conta quantos homens a paqueraram no dia. Eu, como sempre inseguro, lhe leio nos lábios que é a hora noturna de meu cigarro e subo em cima dela jogando fumaça em seus cabelos. Ela odeia quando faço isso. E odeia ainda mais o fato de amar meu corpo pressionado nela, suas coxas cruzando minhas costelas.
Mas, essa noite não quer me ver. Diz que rosas debaixo da porta são história do ano passado. Acho que me deitei numa cama com essas rosas. Rosas do ano passado. Sei tudo sobre ela, mas não a conheço direito.
Talvez essa sua mania de tomar café frio de manhã esteja lhe deixando cansada. Talvez minhas manias a tenham irritado. Minha geladeira a irrita por seu cheiro. Minhas camisas a confortam. Minhas palavras fazem a cabeça dela doer. E eu sequer sei se a conforto, se a irrito ou se faço-a se doer. Às vezes, ela me dói. Quando faço compras ou quando arrumo meus livros. Ou quando ela recusa minhas rosas.
E hoje eu estou meio perdido. Talvez pela minha inadimissível falta de cárater. Falta de senso. Talvez se eu não bebesse demais, praguejasse demais, vivesse tanto, não a amasse tanto. Mas, às vezes eu sei que ela é necessária. Quase uma natureza íntima minha. É como a certeza de que ela espera meu presente de Natal do ano passado. Ou que nesse momento ela está escutando Bon Jovi, enquanto a fita muda pro lado B. Que ela sorri quando está triste e disfarça quando está feliz.
Ou então… Que ela seria muito mais feliz sem mim. Mas, entende, há dias que eu a conheço tão bem…—guilhermehotto.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
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