quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Primeiro encontro. Ambos sentados em uma mesa de café. Um expresso pra ele, um suco de laranja pra ela. Ele falou sobre sua vida por minutos ininterruptos enquanto ela ouvia atentamente cada detalhe. Uma vida completamente diferente do que estava acostumada a ouvir. Absorta em suas palavras. Ela falava pouco e ele também, mas sentiu-se coagido a manter um monólogo pra evitar silêncios desconfortáveis. Preferia ouvir, de qualquer forma. Ele disse: “Estou falando demais, é sua vez de falar agora”, mas obteve como resposta um tímido “Não sei o que dizer. Eu não sou tão interessante assim”. Ele, num tom violentamente doce, discordou: “É, é sim…”. Ela, que evitava contato visual e fitava seu suco com uma disciplina forçada, precisou olhá-lo quando ele proferiu aquelas palavras tão ternas. Nunca esqueceria aquele olhar. Ele a olhava como se seus olhos fossem feitos de veludo. Veludo castanho e acolhedor. Estava sério. Ele era naturalmente sério, mas ali parecia bobo. Sim, ele a achava interessantíssima. Sim, ele queria ouvi-la. Sim, ele conhecia a própria vida o suficiente e queria ouvir a dela. “É interessante, sim…”


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