segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dá replay, quero ouvir mais um pouquinho a melodia triste dessa música. É minha amiga, por ser infeliz, por ser lenta, por sair arrastada, temos afinidade. Essa música é a minha música. Onde é que se viu prender o choro? Esse som é bom, parece que puxa tudo de dentro de mim, vais ver, daqui a pouco me levanto. A capa foi perdida, igual à chave, à carteira de identidade, ao pingente de ouro e a todas as outras coisas que não podemos - de forma alguma - esquecer em cima da mesa do vizinho. Nessa vida, fiz amigos que ser humano nenhum gostaria de sequer conhecer. Oi, solidão. Oi, melancolia. Oi, cérebro martelado. Oi, coração exposto. Fiz do desamparo um aliado. Não dá pause nessa música enquanto o pause não vem pras espadas e brasas que me ferem toda noite. Deixa tocar, deixa seguir, assim como eu consigo andar, comer, beber e - pasmem! - sorrir. Não ouço mais as reclamações do meu frequente esquecimento. Já perdi tantos guarda-chuvas em ruas, óculos em estantes, cartas em gavetas. Já me perdi toda mesmo. E ninguém me encontra. E eu também nem faço mais questão. Então, pela terceira vez, bota esse som pra tocar e me deixa mergulhar um pouco em minha própria escuridão.

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